domingo, abril 29, 2007

Minha vida!

Falhei miseravelmente em fazê-la feliz...



Regra Três
(Vinicius de Moraes / Toquinho)
Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar

sábado, abril 28, 2007

Poesias

duas, das antigas, e que têm a ver com a data de hoje (presente e passado)...


Andando só, sob o luar;
Triste e pensativo, o frio me aquecia;
Teu nome comecei a chamar,
Mas você não respondia.

Dei-me a sonhar, a divagações;
Comecei a pensar em você.
O que tem de bela e doce?
O que faz destruir os corações?

Ponho-me a escrever;
Para ver se você sente,
Compreende, passa a entender;
O quê em você me prende.

Não serão seus olhos de menina;
Não serão suas formas de mulher;
Não serão seus beijos de cajuína;
Não será este teu modo de querer.

Será tua alma incontrolável;
Teu modo de ser meio amalucado;
Teu modo de chorar; teu sorriso imaculado;
E por você ser, unicamente, inexplicável.

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Ela me lembra
uma das amigas da minha irmã
Mas não uma santa.

Ela me lembra
uma adolescente descobrindo a vida,
Mas não uma santa.

Ela me lembra
uma cortesã no exercício de seu oficio,
Mas não uma santa.

Ela me lembra
uma qualquer que ama, ri, chora,
Mas não uma santa.

Ela me lembra
uma mulher, uma menina, uma rapariga,
Mas não uma santa.

Talvez ela nunca tenha sido uma santa!

quarta-feira, abril 25, 2007

Poesia n° 4

Da coleção "Hebréia"

Tu me olhaste;
Parecia que não me conhecia.
Tristeza.
Amanhecia.

Te chamei e sorriste;
Te olhar me nutria.
Surpresa.
Meio-dia.

Ao meu lado caminhaste,
Meu coração por ti ardia.
Silêncio.
Entardecia.

De mim te aproximaste;
Minha boca te queria.
Lábios
Anoitecia

Durante a noite cavalgaste,
Com minhas carícias como açoite.
Luxúria.
Meia-noite.

Tu me abandonaste;
Tudo se perdia.
Tristeza.
Amanhecia .

sexta-feira, abril 20, 2007

Poesia Árabe (original)

Lendo um texto sobre a Arábia pré-islâmica, descobri que, em determinada época, um pouco antes de Maomé, os poetas eram os chefes tribais. E eles tinham uma disputa de poesias que substituía a guerra nos meses sagrados; e os vencedores tinham sua poesia escrita sobre seda com letras de ouro e eram colocados na Ka´ba. Isto faz-me pensar em como os poetas são desvalorizados em uma cultura, como a nossa, em que há uma banalização da informação e do saber e como eles (nós) eram importantes numa sociedade em que a forma de se preservar a memória era através da poesia. A poesia para os povos árabes, ainda tribais, tinha um caráter duplo: por um lado contar as façanhas heróicas da tribo e de seus guerreiros; e por outro tratavam o amor, muitas vezes não correspondido. Aqui vai uma mostra deste tipo de poesia:

Vi uma donzela cujos cabelos caem
Até o solo e são negros como a noite.
Debaixo de suas tranças escuras, se assemelha à aurora surgindo das trevas.
Es tão bela que todos a admiram
E se apressam em servi-la.
E eu ocultarei meu amor no fundo do meu coração
Até que me seja permitido revelar-lo.

Poesia n°3

Ela é tão delicada e suave que eu tenho até medo de tocá-la. e possui uma ciência, um olhar sério que por vezes me assusta. Ah, mas como o riso nasce fácil naqueles lábios e eu fico tão comovido quando é direcionado a mim. Depois de hoje não poderia fazer mais nada a não ser escrever:
(escrito em papel de pão)

Da coleção "Hebréia":

Se pudesse mais perto de ti chegar,
E fazer surgir em sua face o rubor;
Com insanas promessas arrebatar
Da tua boca um beijo com furor.

Não me olhes assim entediada,
Como quem já ouviu isto antes;
Numa chance deixarei-te extasiada
Contando-te meus sonhos, contigo, delirantes.

Ah, dê-me ao menos um sorriso,
Pois tua boca, de tal maneira, me encanta
Que ao chegar perto eu perco o ciso.

Quero ver se manténs-se séria e santa
Se como um corsário eu te atacar
Tocando a fonte, fazendo seus tesouros me entregar.

terça-feira, abril 17, 2007

Poesia

Queria ter algo para escrever;
algo que fizesse jus a sua beleza;
mas hoje as palavras fogem;
espero que perdoe esta indelicadeza.

é que te sinto tão perto,
que de ti fico repleto, assim
os meus versos saem tão incertos,
que não sei se são dedicados a ti ou a mim.

mas saiba que pensei em você;
a cada segundo, cada instante vão;
fingi que sobre você escrevia
e te entregava, na poesia, meu coração.

segunda-feira, abril 16, 2007

Noir

Ela tem um jeito ousado de se vestir que o fascina. Parece que ela foi sempre assim. Parece que sempre teve uma pena na orelha e unhas vermelhas. Mas ele descobriu que não é bem assim. Como a rosa do Pequeno Príncipe ela cultiva suas garras rubras para se defender do mundo, para se esconder de si mesma. E o ar liberal só esconde uma mini-réplica de Bárbara Bush.
No balcão do bar ele pede mais uma dose de rum e continua em silêncio. Não quer atrapalhar os pensamentos e a fala da moça ao lado, que mais parece uma chaminé. Ela está nervosa, passando por uma crise de autoconhecimento. É como uma borboleta saindo do casulo. Ele não pode fazer nada a não ser estar ali; ou mandá-la regular nos cigarros. Bom, ele prefere continuar só ouvindo-a falar sobre suas dúvidas vocacionais.
Ela termina sua bebida. Trocam olhares rapidamente. Ele se levanta, paga a conta, toca suavemente a sua mão e se dirigem ao estacionamento em silêncio.
Ele a leva em casa. Um prédio bonito, com muitos apartamentos. Observa-a por longos segundos. Continuam em silêncio. Não falam nada, pois mais nada precisa ser dito. Está tudo ali, numa insustentável leveza entre os dois. Ela sai, sem ao menos dizer adeus. Ele sabe o que se passa em sua cabeça e não ousa questioná-la. Apenas respeita, esperando o dia em que ela volte a ser ousada.
Ele parte, dirigindo apenas. No rádio um blues triste e longo toca. Seus pensamentos são agridoces. Só consegue pensar nos olhos dela. Como são belos e como escondem a tristeza. Aquele amêndoa, rajado, levemente, de verde sempre o persegue. Parecem que nasceram para refletir amor e paz, mas é o contrário que está lá. Ele não consegue acreditar nisso, mas esses olhos nunca mentiram antes, então por quê o fariam agora? Ele volta para o bar. Pede uma dose dupla de rum e pensa em tudo o que deixou de fazer; em cada oportunidade perdida. Ser mais arrojado talvez fosse a solução, mas ele prefere a segurança do poderia, do quê o incontestável do aconteceu. Valeu a pena? Só quem contemplou o fundo daquele olhar sabe a resposta...

terça-feira, abril 03, 2007

Visita

Ele se olha no espelho pendurado no canto do seu quarto-cozinha e pensa que deveria ter aparado a barba. Talvez cortado o cabelo também. Cheirou a camisa pendurada na cadeira e achou que deviria tê-la lavado. Na verdade ele achava que a sua vida precisava de ordem, de organização. Precisava retomar as rédeas, controlar as coisas. Na vitrola (ele ainda tinha uma) tocava o LP construção, do Chico, que ele havia encontrado num sebo. Arrumou as coisas em cima da mesa. Pôs duas xícaras, uns pãezinhos, uma rosa que havia roubado de algum jardim e foi esquentar a água para o chá. Queria que estivesse tudo pronto para quando ela chegasse. A campainha toca. É ela. Estava divina no seu vestido de primavera, os cabelos negros soltos e um nada de maquiagem. Ele pede que entre e que se sente. Ela recusa. Ele pergunta se ela gostaria de um pouco de chá. Ela diz que está com pressa. Ele oferece uns pãezinhos. Ele diz para acabarem logo o que têm que fazer. Ele concorda. Eles se abraçam e ela lhe dá um beijo vigoroso e demorado. É a melhor sensação da vida dele. Tudo gira e vai anuviando. Seu corpo está leve junto ao dela. Não sente mais nada. Dois dias depois a vizinha encontra o corpo do jovem senhor. Estava morto, fedendo e com um sorriso indefectível nos lábios...

sábado, março 31, 2007

Diálagos

Sr Sensocomum
- Pois você tem acompanhado os casos de violência no Brasil? Estamos enfrentando uma verdadeira guerra civil...

Sr Boldmind
- Não sei. Acho que padecemos do mal do século: excesso de informação...

Sr Sensocomum
- Como assim??? Você agora quer negar que estamos em combate contra os traficantes e que, a cada dia que passa, eles ficam mais ousados e violentos???

Sr Boldmind
- Não, na verdade acho que a violência sempre existiu, mas haviam lugares aceitos para ela. Por exemplo as favelas, os subúrbios. Lugares longes de nossos olhos. Agora a violência transbordou estes lugares e esta chegando mais perto de nós, classe média, e isto nos assusta. Mas o medo é muito mais que isto. Ele nos é entregue como uma mercadoria pronta para consumo. Virou mais uma indústria.

Sr S
- Você quer me convencer que a violência não existe e que o medo é apenas uma construção?

Sr B
- Não quero te convencer de nada meu caro amigo e nem disse que a violência não existe. Pelo contrário, talvez ela seja a coisa mais real na vida em sociedade. O que são as leis se não meios de nos defendermos uns dos outros? A civilização é apenas um conceito que perseguimos, mas nunca vamos alcançar. Uma história da carochinha para adultos é a idéia de que podemos ser civilizados sem a força da lei para nos controlar. O que eu realmente disse é que o medo gerado pela violência foi construído para o bem de alguém que não o nosso. Estão fazendo parecer que a violência está em todo lugar para nos assustar e, assim, alguém lucrar com isto. Ou não percebeu que o JN está a cada dia mais parecido com o antigo programa do Alborguetti?


Sr S
- É verdade. Os jornais estão mais violentos, mas foi a sociedade que piorou. Você vê cada caso de assassinato brutal hoje em dia que dá até um ruim...

Sr B
- Sim, mas estes casos de violência isolados nunca foram notícia. Pessoas sempre morreram de formas estúpidas e violentas, mas antes ninguém fazia alarde sobre isto. A questão é que nada hoje em dia é notícia e por isto tudo vira notícia. E isto com a finalidade de preencher um apetite infantil de nossa parte por informação.

Sr S
- Certo, mas esquecendo isto, o que você acha do envolvimento cada vez maior de menores nos crimes que vemos? Não sei. Na minha época parecia ser tudo melhor e mais calmo, mas hoje em dia está tudo virado. Crianças de 12 anos se envolvendo em crimes hediondos. Não dá nem para andar sossegado na rua que já vem a pivetaiada te roubar.

Sr B
- Eu sei que, terminantemente, me recuso a ter medo de crianças!

Sr S
- Hein!? Você quer dizer que não acha que os adolescentes estão cada vez piores? Que eles vêem das favelas só para nos assaltar? Só falta me dizer que também é contra a redução da maioridade penal!

Sr B

- Não sou contra redução da maioridade penal. Sou é a favor da criação de igualdade de oportunidades entre estes adolescentes e os nossos. A redução da maioridade penal tem que vir acompanhada de medidas que não deixe os jovens enveredarem pelo caminho do tráfico e da violência. Talvez assim ela nem seja necessária. E não se esqueça: se estes jovens hoje são violentas é porquê eles sofreram uma violência da nossa parte primeiro. Eles não precisam de condenação porquê já nasceram condenados a viver esta vida.

Sr S

- É, nisso concordamos: também acho que é pela educação que poderemos resgatar estes jovens.

Sr B
- Não criatura, não foi isto que eu disse. Igualdade de oportunidades não é só educação. É uma divisão mais justa do nosso PIB. Não sei quem foi o idiota que criou a idéia de que a educação tem este papel de salvadora do mundo. Pois desse jeito parece que ela é causadora de todos os males também. Lógico que ela é uma peça importante, mas não é a única.. È só comparar. Você fale em educação e eu em igualdade de oportunidades. Oras, se fosse só pela educação dois jovens que terminassem o ensino médio juntos, mas um em escola particular e outro em escola pública, teriam as mesmas chances dentro do mercado de trabalho. Ledo engano. Eles precisam partilhar das mesmas oportunidades, o que a educação sozinha não alcança. È um caminho insuficiente. Quem compra esta idéia está mais preocupado em maquiar o problema e não resolvê-lo. È mais fácil jogar um jovem 4 horas por dia numa escola do que garantir a ele meios de viver de maneira digna.

Sr S
- O que podemos fazer então?

Sr B
- primeiro não comprar a idéia de que devemos temer tudo o que é diferente. Depois precisamos resgatar a dignidade das pessoas que vivem na pobreza, com a garantia de uma renda mínima mesmo quando ela está desempregada. Garantir um futuro de verdade aos jovens e não apenas sub-empregos em lanchonetes, ou fazendo bicos. E por fim devemos nos preocupar realmente em resolver a questão e não só despejar a resposta pronta de que é pela educação que as coisas vão melhorar. Pois quando empregarmos um mínimo das nossas forças nesta busca por soluções o problema já não existirá; ele simplesmente se resolverá.

quarta-feira, março 28, 2007

300 de esparta: A Batalha de Termópilas

(a pedidos)

O filme estréia nesta sexta-feira (30/03) e muita gente vai estar perguntando sobre ele. Resolvi fazer um paralelo sobre a HQ (já que o filme se diz muito fiel a ela) e a Fonte. Ah, com relação a isto acho bom um pouco de teoria da História: Fonte é todo e qualquer documento, escrito ou não, que nos permite vislumbrar coisas do passado. É a partir da fonte que os historiadores fazem a História; constroem conecimento. Lógico que fiz a crítica devida a Fonte, mas não a analisei profundamente. Simplesmente transcrevi o que ela nos diz.

A quisa de introdução: podemos dizer que a batalha de termópilas foi o primeiro enfrentamento terrestre entre o exército persa e os gregos. Cerca de 250.000 bárbaros, comandados por Xerxes, contra 4 mil gregos, comandados por Leônidas. Apesar da derrota, a heláde impos duras perdas aos persas e abalou a moral da tropa. Bom vamos aos itens!

Trezentos:
HQ – Na HQ eles são a guarda pessoal do rei Leônidas e que partem junto com ele para lutar contra os persas.
Fonte – Com a impossibilidade de irem lutar, imediatamente, com a totalidade do exército contra Xerxes por causa do Festival da Carnéia, o conselho resolve escolher trezentos guerreiros para lutar junto ao rei Leônidas (obrigado por lei a ir a guerra). Estes compunham uma tropa de elite, também conhecida por Cavaleiros, e deveriam ser homens que tivessem filhos para garantir o culto a memória dos heróis. Logo, a passagem presente no HQ em que o capitão fica exaltado com a morte do filho não é confirmada pela fonte.

Leônidas:
HQ – Leônidas, na HQ é o rei por direito de Esparta desde a infância e assumir esta posição de rei, para ele, seria algo natural.
Fonte – A fonte nos diz que Leônidas assumiu a realeza em Esparta de maneira imprevista. Ele tinha dois irmãos mais velhos, Cleomenes e Dorieus, e nem cogitava a idéia de vir a ser rei. Mas Cleomenes, que era o rei, morreu sem deixar descendência masculina e Dorieus havia morrido na Sicília. Assim Leônidas, que era casado com a sua sobrinha Gorgó, filha de Cleomenes, tornou-se rei de Esparta. Na fonte também temos uma genealogia de Leônidas que nos mostra que ele era descendente de Heracles.

Xerxes:
HQ – Xerxes aparece como um rei efeminado, cruel e arrogante.
Fonte – Xerxes (que significa “Guerreiro”) é um rei muito “civilizado”, apesar de muitas vezes Heródoto chamá-lo apenas “Bárbaro” (conceito de bárbaro é todo aquele que não compartilha da cultura helênica), e que escuta seus subordinados e aplica a justiça conforme lhe convém. A “vitória” dos espartanos faz com que o Grande Rei sai da sua “serenidade” e ultraja o cadáver de Leônidas, arrancando-lhe o coração e decepando a sua cabeça.

Imortais:
HQ – Tropa de elite persa que é enviada duas vezes para combater os espartanos. Eles perdem a primeira e ganham a segunda.
Fonte – é basicamente isto mesmo. Eles escolhiam os dez mil melhores soldados para formar esta tropa de elite, que se diferenciavam pelas roupas e as armas (usavam lanças maiores que o resto das tropas). Eram chamados de imortais porque cada soldado que morria era substituído por outro, de igual valor, fazendo parecer que seu número nunca diminuía. Eram comandados por Hidernes.

Éforos:
HQ – Aparecem com sacerdotes dos deuses corrompidos pelos persas para evitar que os espartanos fossem a guerra.
Fonte – são ocupantes de um cargo “executivo” (como se fossem prefeitos) e que colocam em ação as ordens do Conselho.

Carnéia:
HQ – festival dedicado aos deuses antigos.
Fonte – eram festas publicas dedicadas a Apolo no mês de Cárneion (metade final de agosto e metade inicial de setembro), considerado mês sagrado. Leônidas foi defender as Termópilas com o intuito de segurar os persas até que se passassem as festividades e o grosso das tropas pudesse se juntar a eles. No resto da Grécia ocorriam as olimpíadas, o que também impediu uma mobilização maior.

Tebanos:
HQ – aparecem como mais uma tropa de apoio aos espartanos nas Termópilas.
Fonte – o rei Leônidas obrigou os tebanos a se juntarem ao seu exército, pois estes eram considerados amigos dos persas. Foi como um castigo importo a eles.

Ep(h)ialtes:
HQ – um “monstro” corcunda, de origem espartana, que conta a Xerxes, depois de refutado por Leônidas, o ponto fraco das termópilas: uma trilha que levava até a retaguarda do exército grego.
Fonte – ele era um málio, não espartano, que entrega ao Grande Rei o segredo da trilha de bodes que contorna as Termópilas em troca de prestígio e dinheiro. Depois da batalha os helenos colocaram sua cabeça a prêmio, mas ele foi morto por um tal de Atenadas e por outro motivo que Heródoto não explica.

Arautos de Xerxes:
HQ – vão as cidades gregas pedindo “terra e água”, isto é, uma rpova da vassalagem destas cidades. Quando chegam em Esparta são mortos por Leônidas que os jogam em um poço.
Fonte – basicamente isto, mas quem os jogou no poço não foi Leônidas, mas seu predecessor Cleomenes, mandando que eles pegassem “terra e água” lá no fundo do mesmo; eles também não foram enviados por Xerxes, mas por seu pai Darios. Depois Leônidas, por conta de uma revelação da pítia que dizia que os espartanos seriam amaldiçoados por conta disso, resolveu mandar dois espartanos para morrer nas mãos de Xerxes e assim vingar a morte dos arautos. Porém Xerxes não matou os mensageiros de Esparta, mas os mandou embora como sinal de superioridade dos persas.

Mais algumas coisas que não tem na HQ, mas que eu acho interessante...

A Pítia, que era a mulher que revelava os oráculos, havia dito aos Lacedemônios que ou Esparta seria destruida pelos bárbaros, ou o seu rei, vindo da linha de Heraclés, teria que morrer. Este foi um dos motivos que Leônidas dispensou todas as outras tropas e permaneceu com seus Trezentos para abatalha final.

Segundo Heródoto um espartano sobrepujou todos os outros em bravura. Seu nome era Dieneces. Foi ele que respondeu a alguns traquínios que diziam que as flechas disparadas pelos bárbaros cobririam o sol, tamanho era o exército deles. Ele disse “melhor, pois assim lutaremos a sombra.”

NA HQ Xerxes diz a Leônidas que as suas culturas têm muito em comum e, segundo a mitologia, é verdade. De acordo com essa, Perseu, um dos antepassados de Heraclés, e , assim, de Leônidas, também foi “colonizador” da Pérsia. O nome do lugar, inclusive, é em homenagem a ele. Mais do que retórica, eles realmente acreditavam nisto.

domingo, fevereiro 18, 2007

tú**, 18 de fevereiro de 17**

Caro Wilhelm

Tu não sabes quando dói a solidão do túmulo. O único som que escuto é o do vento por entre as castanheiras. As vezes alguns vermes vêem me visitar, mas não é companhia deles que anseio. Ah, minha alma ainda dilacera-se pedindo um pouco mais da presença de Charlotte; uma resga da sua atenção, da sua presença. Mas o meu purgatório é este; saber que depois de algum tempo ela já me esqueceu; que Albert suplantou-me em seu coração.
Mas sempre foi assim. Eu nunca fui mais que um brinquedo; uma distração agradável para as tardes chuvosas e as suas noites solitárias. Era apenas o amigo para o consolo, nunca há ser consolado. Eu sempre esperei apenas um sinal de seu amor, uma demonstração de afeição, mas só encontrei uma sanguessuga transmutada em amiga, alguém a esperando apenas receber, nunca dar.
Não morri com o tiro: morri com aquele beijo, que me elevou aos céus e mandou-me ao inferno logo depois. Foi o calor daqueles lábios que me abriu as portas da eternidade; foi a suavidade daquele instante que decretou minha condenação. Ah, esta mulher que nunca me amou, mas que sobe enganar muito bem para retirar tudo de mim. Talvez por não conseguir lhe negar nada ela se foi. Daria tudo a ela, mas ela não queria nada. Só queria uma amizade conveniente para se entreter. Fui apenas uma boa companhia, nunca uma hipótese de um amor. Esta constatação é que me matou. Apenas istoDesculpe-me pela brevidade desta carta. Um verme acaba de comer o meu dedo e não posso...

sábado, janeiro 13, 2007

DON JUAN - TRADUÇÂO

Inauguramos um novo ano com novidades no Inhame Filosofante. A partir de agora teremos traduções do inglês para o português e vice-versa (talvez, futuramente, teremos também do espanhol). Começo com Lord Bayron e a tradução do seu poema Don Juan. Para tal, tentei manter a versificação do inglês no português, isto é, mantive o mesmo esquema da rima, que é alternada nos seis primeiros versos e paralelas nos dois últimos (a-b-a-b-a-b-a-b-c-c). Não mantive a métrica porque eu não entendo muito de métrica em inglês. Uma vez que esta é baseada nos sons, no modo que se pronuncia a palavra, fica difícil imaginar como um homem do início do século XIX falava (principalmente em inglês com sesu infinitos modos de falar abreviado). Sem contar que o poeta pode alterar o modo de falar de algumas palavras para encaixá-las no seu poema. Preferi, então, fazer a tradução em versos livres. Peço aos meus três leitores (e eu sei que estes leitores são feras em inglês) que dêem sugestões e analisem a minha tradução. Mas lembrem-se: traduções são como as mulheres: as boas não são fiéis e as fiéis não são boas. Talvez a minha tradução não seja nenhuma das duas. Muito bem! Vamos ao Don Juan:

DON JUAN


Veneza, 16 de setembro de 1818
Canto Primeiro
(excerto)

Eu desejo um herói, um herói extraordinário,
Quando cada janeiro lançar em frente um novo janeiro
E até de jargões saciado o oficioso diário,
As eras descobriram que ele não é o verdadeiro;
Sendo assim eu não cuidarei do seu louvatário,
Por isto escolhi Don Juan, nosso velho companheiro;
Todos nós o conhecemos em cima do tablado[1],
Mandado antes do tempo para o diabo.

Vernon, Wolfe, Howke, Cumberland o estripador,
Príncipe Ferdinand, Granby, Burgoyne, Keepel, Howe,
Bons e maus, tiveram sua parte no louvor;
Como Wellesley deixaram também o seu sinal,
Cada um, como o rei Banquo, avança com esplendor;
Seguidores da fama, “os nove leitões”[2] da porca ancestral:
A França, também, teve Napoleão e Dumorier
Registrados pelo Moniteur e Courier.[3]

Barnave, Brissot, Mirabeau, Condorcet,
Petion, Clootz, Marat, La Fayette, Danton,
Eram franceses famosos como devemos saber;
E existiram outros, pouco esquecidos até então,
Hoche, Marciau, Lannes, Desaix, Moreau, Joubert,
Com muitos militares – tropa e pelotão -
Por eras serão extremamente notáveis,
Mas aos meus versos não são aceitáveis.

Nelson da Bretanha foi o senhor do mar,
E ainda deve sê-lo, mas a maré está mudando;
Não há nada mais a ser lembrado de Trafalgar[4],
Nosso herói está entre nós, na urna descansando;
Porque o exército tornou-se popular,
E até os marinheiros estão disso se aproveitando,
Além disso, o príncipe é, para todos, da pátria o guardião,
Relegando Duncan, Nelson, Jervis à escuridão.

Antes de Agamêmnon bravos homens viveram,
E desde então vão se superando em valor e sabedoria;
Calma como nenhuma, uma boa negociação tiveram,
Mas sobre eles os poetas não fizeram nenhuma elegia;
Não condeno a ninguém porque deles se esqueceram,
Porém não acho em nossa era homens com tal maestria,
Ajustado de tal maneira a minha poesia vã,
Então, como disse, aceitarei nosso amigo Don Juan.


VENICE, September 16, 1818.
CANTO THE FIRST.
I WANT a hero: an uncommon want,
When every year and month sends forth a new one,
Till, after cloying the gazettes with cant,
The age discovers he is not the true one;
Of such as these I should not care to vaunt,
I 'll therefore take our ancient friend Don Juan-
We all have seen him, in the pantomime,
Sent to the devil somewhat ere his time.

Vernon, the butcher Cumberland, Wolfe, Hawke,
Prince Ferdinand, Granby, Burgoyne, Keppel, Howe,
Evil and good, have had their tithe of talk,
And fill'd their sign posts then, like Wellesley now;
Each in their turn like Banquo's monarchs stalk,
Followers of fame, 'nine farrow' of that sow:
France, too, had Buonaparte and Dumourier
Recorded in the Moniteur and Courier.

Barnave, Brissot, Condorcet, Mirabeau,
Petion, Clootz, Danton, Marat, La Fayette,
Were French, and famous people, as we know:
And there were others, scarce forgotten yet,
Joubert, Hoche, Marceau, Lannes, Desaix, Moreau,
With many of the military set,
Exceedingly remarkable at times,
But not at all adapted to my rhymes.

Nelson was once Britannia's god of war,
And still should be so, but the tide is turn'd;
There 's no more to be said of Trafalgar,
'T is with our hero quietly inurn'd;
Because the army 's grown more popular,
At which the naval people are concern'd;
Besides, the prince is all for the land-service,
Forgetting Duncan, Nelson, Howe, and Jervis.

Brave men were living before Agamemnon
And since, exceeding valorous and sage,
A good deal like him too, though quite the same none;
But then they shone not on the poet's page,
And so have been forgotten:- I condemn none,
But can't find any in the present age
Fit for my poem (that is, for my new one);
So, as I said, I 'll take my friend Don Juan.

[1] Referência a peça de Moliére
[2] “nove leitões” – referência irreverente aos nove nomes do começo da estrofe., comparado aos oito reis e depois a Bonquo (personagem que aparece em Macbeth). Na verdade é mais um jogo lingüístico de Byron, do que uma referência exata.
[3] Jornais da época. O Moniteur continua existindo na Bélgica.
[4] Batalha em que a frota marinha de Napoleão foi derrotada e acabou com o sonho deste de conquistar a Inglaterra, levando a guerra para lá.

domingo, dezembro 31, 2006

Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo

Se paro um instante
E olho ao meu redor
Vejo bárbaros ululantes
Destruindo o sonho de um mundo
Melhor.

Ou nossa esperança se renova,
Ou nos entregamos de vez;
Pois sonhar só estorva
Quem optou pela cupidez.

Igualdade, Liberdade, Fraternidade;
O Ideal de um mundo justo;
Pilares da vida corroídos pela maldade,
Mas que resistem a muito custo.

Parafraseando o santo inglês
“Criamos os ladrões para depois enforcá-los”
podíamos ser melhores, ao invés,
quando tentamos salvá-los.

E no patíbulo pendurado,
Saddam é o símbolo do que vem.
O “olho por olho” foi restaurado;
A justiça tombou; o mal venceu o bem.

Morte, guerra, fome, destruição, pobreza
Não são os votos de ninguém para o novo ano;
Mas são as nossas únicas certezas
Para 2007, que ao invés de venturoso
Será totalmente insano.



Para ano que vem teremos novidades no Inhame Filosofante. Felicidades a todos.
See you!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

TPN, ou uma crônica de Natal.

Uma semana antes

Ela acordou meio estranha. Era algo meio físico, meio psicológico. Estava com dor nas pernas e a boca seca, por conta da ressaca, causada pelo excesso de caipirinhas de bacardi que havia tomado na festa de fim de ano da repartição onde trabalhava. Sentia um comichão lá no fundo. Não sabia se era por conta dos pernilongos desta época do ano, ou uma inquieta vontade de apertar uns pescoços. Levantou-se e olhou-se no espelho. Realmente gostou do que viu. Foi para cozinha e viu um stick amarelo na geladeira lembrando-a que sua mãe queria fazer as compras de natal dali a dois dias. “Merda”, pensou ela.

No trabalho ninguém estava numa situação boa, pois todos tinham abusado da bebida e da comida. O pior mesmo eram os comentários sobre a festa. A maioria maldosos e alguns sobre ela. “Bosta, será que eu fiz algo que não lembro!?”. Ela achava que não, mas sabia que os sorrisos e tapinhas nas costas eram apenas teatro de um povo com aspirações de civilidade. Sorte sua que era seu último dia e que só voltaria na semana seguinte ao Ano Novo.

Cinco dias antes

Dia das compras. Não suportava o jeito com que sua mãe a tratava. Ela morava sozinha e era independete finaceiramente, mas sua mãe sempre a tratava como uma adolescente que precisa de vigilância. “Você não anda bebendo demais?!” Perguntava sua mãe sempre que se viam. Mas ultimamente a pergunta que mais a incomodava e que ela tentava evitar a todo custo: “Não está na hora de arranjar um namorado!?”. “Mas que droga”, pensava ela, “sim está na hora, mas não aparece nada decente para mim! Só aquele mala do meu ex que não larga do meu pé. Que merda!”.

Após horas rodando pelos shoppings e lojas da cidade ela conseguiu o que queria. Lógico que teve que disputar a tapas, literalmente, algumas peças. Mas nada que um sorriso e um chute certeiro na canela não consigam. Voltou para casa com dois vestidos, três sandálias, umas blusinhas, uma tremenda dor nas costas e com a vontade de matar alguém aumentando. Suas cachorras vieram fazer festa quando ela chegou e quase levaram um chute também. Fez um chá e foi dormir.

Três dias antes

Sua irritação estava batendo records. Não havia matado ninguém ainda, mas, por segurança, mandou suas cachorras para passar uma temporada num hotel para cachorros. O seu irmão ligou pedindo dinheiro para comprar um presente para a nova namorada. “Além de tudo tenho que finaciar este vagabundo e suas vadias.” Acabou descobrindo que tinha comprado um vestido maravilhoso para o Ano Novo, mas não sabia nem onde ia passar a virada.

Marcou cinema com um amigo. No meio de milhares de filmes sobre natais em família e crianças perdidas em casa ou aeroportos acharam um filme bom. Apesar da lotação do shopping, já que esta maravilhosa cidade não tem mais cinemas de rua, não demoraram mais do que meia hora para achar um lugar para estacionar. Viram o filme e, no cinema, dois mudos sentados na mesma fileira não pararam de falar. "Meu Deus!!!! As pessoas que você nunca imaginaria que incomodassem não param de se comunicar e de balançar todo o banco"; depois foram beber algo. “Mas que merda. Além de ter que sair com amigo por falta de namorado, este idiota não tira o olho do meu decote.” Ele a deixou em casa. “Agora deve estar olhando minha bunda”, pensou ela. “humft”. Tomou alguns calmantes foi dormir.

Véspera de natal.

Só de pensar que teria que passar o natal com os parentes na casa de sua avó, ela queria sumir. Infelizmente não podia, porque, pior do que o natal na casa da sua vó, era ter que agüentar sua mãe e os parentes questinando-a o ano inteiro sobre o porquê de não ter ido. Pelo sim, pelo não cabou indo. Afinal não ia durar muito. Depois da troca dos presentes e da revelação do amigo secreto (que bem que podia ser inimigo secreto) eles foram ceiar. Na mesa ela teve a infelicidade de sentar entre duas das suas tias “prediletas”. “Ai como você está magra!” “Onde está o namorado” “Você está ganhando bem, né!?” e mais uma rajada de perguntas. Ela só respondia com gestos de cabeça, ou com simples “sim” “não”, mas na sua cabeça pensava em mil respostas ácidas e sarcásticas; e só não as usava em consideração a sua vó, que no momento lhe oferecia outra coxa de peru. Quando estava tudo acabando e ela permitia-se ficar quase alegre veio a intimação: “você vem almoçar aqui amanhão, né!?”. Respondeu com um grunhido “humpzchit”. É podia ser pior.

Natal

Acordou com a cabeça latejando. Olhou-se no espelho e não gostou nada do que viu. Vestiu-se e foi, novamente, para casa da sua vó. No caminho recitava o mantra: “não vou matar ninguém. Não vou matar ninguém”. Chegando lá teve que comprimentar a todos novamente e encarar os mesmos sorrisos falsos. Pode perceber que suas tias cochichavam sobre ela: “Viu só, não se mistura.” “é uma metida mesmo”. Estrangulou um guardanapo para não fazer o mesmo com algum parente. Seus primos com os respectivos acompanhantes não melhoravam a situação. Almoçaram churrasco com a ceia requentada. Depois do almoço o seu humor estava melhor. “Pronto: acabou!” permitiu-se até um sorriso, que logo se extingüiu: “Você vem passar o Ano Novo com a gente, não vem!?” Um grito de pavor morreu em seus lábios. Nem respondeu. Empurrou as duas tias que estavam na porta, chutou um primo que resolveu namorar no portão, pegou as chaves do carro e fugiu sem olhar para trás. Quando estava quase chegando numa praia maravilhosa ela pensou: “Que merda! Deveria ter feito isto antes”.

A todos os leitores do meu blog um feliz natal e nos vemos novamente ano que vem. Se eu não voltar é que eu quebrei a banca de algum cassino argentino e estou viajando por aí, ou fui morto por este mesmo motivo...

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Mais Poesias

(O que terminar a faculdade não faz...)

A última rosa, ou
boas vindas ao verão.

A última rosa do meu
jardim
morreu esta manhã.
Se botânico eu fosse,
diagnosticaria uma febre
terçã.

E, por ter sido cativado,
eu chorei!
Lágrimas rolaram pelo chão
regando em meu peito
a semente da
solidão.

Meus olhos embotados
cegaram meu coração;
que não percebeu
a promessa de vida
que vem com cada nova
estação.

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(sem nome)

Se tu afirmas que me ama
Eu finjo que acredito.
Isto piora minha sina
De ser teu poeta maldito.

Neste caminho triste;
Quanto sonho, quanta desilusão
Por crer num amor
Feito de vento e solidão.

As palavras que me dizes,
As vezes parecem tão ocas
E chego a duvidar
Que elas saíram de tua boca.

Eu gostaria de ter esperança;
De não questionar teu amor,
Mas quando me aproximo
Acabo afeito ao dissabor.

Porém meu destino sinistro
É o um eterno buscar
Para quem sabe um dia
No teu coração ter lugar.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Poesias

A primeira é para o meu leitor mais assíduo...

PANEGÍRICO

O Bruno é assim
Com sua moral argêntea
Nos ensina que hombridade
É total apreço pela verdade.

E com sua humildade
Podemos logo perceber que
As palmas não o envaidecem,
Nem os apupos o embrutecem

Se você é um dos seus amigos
Sabe o que estou dizendo,
Pois nos defende, se preciso, até morrendo.

E com ele não tem vida madrasta,
Pois aceitas seus revezes com esperança
Característica de quem tem fé, fé de criança...

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Está já foi publicada na II Antologia do Poetas Brasileiros Contemporâneos e no site http://www.camarabrasileira.com/alvaro.htm . Ela foi escrita em maio de 2002 um tempo feliz, mas foi para uma pessoa triste e confusa.

Sonhos

Do fundo do eu minh’alma canta;
Canta versos de tristeza e dor;
Pintados com cores fortes de amor
Para aquela que inspira e encanta.

Cândida em meus sonhos ela aparece;
Beija-me com sofreguidão e ternura.
Cena surrealista que um instante dura;
Flor-de-verão que quando nasce fenece.

Seus olhos em mim estão;
Refletindo dor, querendo ajuda;
Chora baixinho, as lágrimas brotam;
Tristeza inspira, queda-se muda.

Quero ajudá-la dando o que tenho;
Mataria dragões, não importa o empenho.
Para vê-la feliz tudo faria,
Mas acordo só na noite fria.

domingo, dezembro 17, 2006

Poesia

Se fecho os olhos
Ainda sinto
Tua irreal presença
Neste recinto

E nos meus lábios
Trago ainda o sabor
De teu beijo maculado
Dado sem ódio, ou amor.

Das marcas que tenho
As que eu gosto não foram impostas
São das tuas unhas carmesins
Em minhas costas

E dos amores que vivi
Lembrar nunca é demais
Que é, e sempre foi, de ti
Que eu gosto mais.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Amar-te

Amar-te é ferir-me;
É cravar uma adaga
No peito;
É ver meu grande sonho
Desfeito;
Sangramento que não se
Pode estancar.

É a dor
De uma sede que não
Sacia;
Um mal, uma doença
Que vicia;
È morrer sem
Expirar.

É mal-querer a mim
Mesmo;
É vagar, fugir, andar
A esmo
Procurando ao invés de
Conforto
Um novo
Penar.

É chorar todo dia
Vivendo sempre a mesma
Agonia
De não querer
Nada mais a não ser
Te amar.

terça-feira, dezembro 05, 2006

O Oleoso Guerreiro Contra o Dragão do Capitalismo - Parte III

Com o patrocínio vieram os eventos, as vernissages, os coquetéis, as inaugurações. Assim nosso amigo Oil Man virou figurinha fácil na Hight Society. Ele abriu o Cristal Fashion Week com um desfile de sungas novas para homens maduros e jovens descolados. Também estava na última festa do castelo do Batel e na inauguração do Burguer King do Shopping Muller. Foi ai que seus problemas começaram. Das colunas da tribuna nosso amigo foi para a coluna do Dino Almeida e seus antigos apoiadores, em geral universitários, hippies e um ou outro punk, passaram a odiá-lo. Quando do seu passeio matinal, Oil Man podia ouvir o buxicho (ou buchicho, ou buxixo, ou buchixo) das pessoas que o apontavam e o acusavam de vendido. Mas com a força de caráter que só os heróis têm, ele não ligava para os comentários.
Ele também começou a fazer apologia ao esporte. Abandonou o hábito de empurrar a bicicleta e passou a pedalar; começou a dar palestras nas escolas sobre os benefícios da prática de exercícios; e até perdeu a barriga de cerveja e ganhou uma de tanquinho.
O Plano diabólico estava dando certo.
A verdade é que a empresa que o patrocinava estava interessada em aumentar o número de pessoas que praticam esportes e, assim, aumentar a venda de seus produtos. Isto seria legítimo se não fosse por um detalhe: ESPORTE MATA!!!
Sim meus amigos leitores, ESPORTE MATA!!! Assim nos ensina o Doutor José Róiz, de saudosa memória. O homem não foi “projetado” para praticar esportes. Se assim fosse seriamos quadrúpedes e teríamos o coração com o dobro do tamanho. Mas a nossa condição de bípedes faz com que nossa circulação não consiga mandar sangue suficiente para o cérebro e para as pernas quando nos exercitamos, o que sobrecarrega o coração e cria a anomalia conhecida por “coração de atleta”, causa de inúmeras mortes, pois o coração fica excessivamente grande, de uma forma patológica, o que causa uma série de problemas. Sem contar toda a nova carga hormonal que nos faz envelhecer mais rapidamente... Mas porque ninguém divulga isto??? Oras, porque os esportes movem muito dinheiro na nossa sociedade e, se em Roma tínhamos o Panis et Circens, hoje nos temos o futebol e a cerveja. É o dragão do capitalismo que tudo devora e depois expele, por via retal, como mercadoria.
Mas voltando a nosso amigo....
A verdade é que com o tempo ele passou a contar com o apoio de uma elite curitibana (sabe... aquela que tem uma torneira de água e a outra de água oxigenada) e esqueceu o povo que sempre o apoiou. Foi assim que quando nosso amado Oil Man estava andando no centro da cidade, num fim de tarde primaveril, esbarrou numa turba ululante, composta de sem-terras, universitários e moradores de ruas. Estes estavam protestando por alguma coisa, mas quando viram nosso dileto herói começaram a gritar: “Vendido, vendido, vendido”; e passaram a persegui-lo. Oil Man tentou achar abrigo numa loja de grife, mas foi escorraçado de lá. Tentou pedir ajuda num shopping, mas os seguranças não o deixaram entrar. Ele tinha sido abandonado.
Oil Man começou a correr em sua bicicleta em busca de abrigo. Foi quando ele enveredou pela Cruz Machado e parou em frente ao “Pantera Negra”, vulgo “Gato Preto”. Para quem não conhece este lugar é uma mistura de Ledô com Madalosso; um ambiente medieval, pois só entra cavalheiros e dragões. Mas foi ai que ele se escondeu. Não adiantou. A turba ensandecida invadiu o lugar e o encurralaram num canto. Ele temeu por sua vida, mas resolveu encará-los de frente. Nosso amigo avançou contra a multidão como em berseker, pronto para matar ou morrer. Os revoltosos tentavam em vão agarrá-lo, mas ele escorregava graças ao óleo. Foi quando alguém lhe passou uma rasteira e outro lhe deu um “cavalo deitado” e ele caiu em cima de uma mesa estraçalhando-a. Era o seu fim...
Foi quando ao fundo tocou um violão e um “maluco beleza” entrou no lugar cantando. Era o Plá. Ele cantava assim: “Se Maomé não vai a montanha, então a montanha vai até Maomé... “ (isto repetido umas 32 vezes). Todos silenciaram. Plá aproveitou para falar com o Oil Man: “Aí bichto, faz um tempo que eu quero trocar um lero contigo. Larga dessa vida maluco. Nóis é tudo poloneis; nóis têm que batalhar contra o sistema tá ligado!?” Nosso amado herói começou a chorar, pois entendera o recado. Tinha que voltar a suas origens.
Tirou a sunga dos patrocinadores e vestiu uma samba canção de um dos garçons. Ia tirar o tênis também, afinal só podia entrar de sapato no recinto, mas o dono do lugar abriu uma exceção a todos naquele dia. O Plá voltou a tocar e o forró comeu solto no “Gato Preto”, ou “Pantera Negra” se preferirem. Os revoltosos e as “mariposas” do local começaram a dançar. A costela a role para todos. A Xingu também. E foi assim que o nosso amigo se redimiu da sua aventura pelo o mundo burguês, que no final o abandonou, e acordou nos braços da Rose Peluda, num quarto de luxo do Popp’s...

quarta-feira, novembro 15, 2006

o Oleoso Guerreiro contra o dragão do Capitalismo - Parte II

Estava ofegante. Estaria suando também se o óleo que lhe cobria o corpo o permitisse. Encurralado não tinha mais como fugir. Precisava enfrentar a turba enfurecida que o perseguia com foices, enxadas e ceifadeiras. Sua morte estava próxima...